segunda-feira, junho 20, 2011

Revolução Francesa e vida privada - 16

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A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DE EROS

Os Contes philosophiques de Sade minavam o ideal revolucionário, não por rejeitá-lo, mas por levar sua lógica ao extremo, chegando ao resultado mais repulsivo. Segundo Maurice Blanchot, “ele formula uma espécie de Declaração dos Direitos do Erotismo”, onde a natureza e a razão servem aos direitos de um egoísmo absoluto. AO longo de toda a sua obra, SAde inverte o habitual triunfo da virtude sobre o vício.

A obra de Sade glorificava e ao mesmo tempo desencaminhava a liberdade, a igualdade e a fraternidade. A liberdade consistia no direito de buscar o prazer sem consideração pela lei, pelas convenções, pelos desejos dos outros (e essa liberdade, ilimitada para alguns, significava em geral a escravidão das mulheres escolhidas). Buscavam-se os prazeres na igualdade, e ninguém tinha direito a eles por nascimento; venciam apenas os mais impiedosos e os mais egoístas (quase sempre homens).

O privado ocupa um lugar muito especial nos romances de Sade. Ele é necessário para os jogos mais extremos e mais cruéis, apresentando-se quase sempre sob a forma de uma prisão.